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O amor pelo time começa na arquibancada:

  • 23 de nov. de 2022
  • 5 min de leitura

Atualizado: 30 de nov. de 2022

História inspiradora entre pais e filha ao torcer pelo futebol feminino


As mulheres vêm ganhando cada vez mais visibilidade em diversos meios, principalmente no profissional, e um deles é o desempenho em campo, com direito a torcida organizada


Por Beatriz Jarins



As disputas entre os times femininos do futebol brasileiro vêm ganhando mais força da torcida atualmente. Um exemplo disso foi o jogo entre Corinthians X Internacional, 24/09/2022, que ocorreu na Neo Química Arena, com capacidade para 49.205 lugares, em São Paulo. Na disputa, mais de 80% do estádio estava ocupado por torcedores, com 41.070 pessoas assistindo ao vivo, considerado o maior público de um jogo feminino na América Latina.


A torcida organizada entre Corinthians X Internacional ganhou grande destaque e reconhecimento (Foto: Reprodução/ internet)



Outra disputa do Brasileirão foi o jogo entre Palmeiras X Corinthians, no estádio Allianz Parque, 04/06/2022, com torcida de uma família sorocabana. Estes dois times, em específico, influenciaram na trajetória do pai palmeirense e funcionário público, José Antonio Nascimento, 58 anos, da mãe corintiana e dona de casa, Shirlei Donizeti Pedro Nascimento, 54 anos e da filha, torcedora de times com equipes femininas, no geral, e estudante de publicidade, Laís Nascimento, 21 anos.


Ter ido assistir à vitória do Palmeiras, no próprio estádio do time, rendeu um passeio divertido para a família, afirma Shirlei, que mesmo triste pela derrota do Corinthians, gostou bastante do momento.



De forma alegre, a família conta em detalhes sobre como começou o amor por cada time (Foto: Beatriz Jarins)



A família de torcedores


Para José Antonio, o amor pelo Palmeiras foi intuitivo. Seu primeiro contato com o time foi aos 10 anos de idade e diferente da maioria, que começa a torcer por determinado time por influência da família, o palmeirense passou a acompanhar os jogos a partir de uma disputa, também entre Palmeiras X Corinthians, em dezembro de 1974.


Ele relembra emocionado que era possível escutar da sua casa, a alegria dos vizinhos torcedores pelo time alviverde, após ter ganhado a partida, e o pequeno José, na época, se interessou a querer torcer também, desde então.


Já Shirlei Donizeti, é corintiana há 40 anos, por influência e admiração ao irmão, que era torcedor do timão, já que dentro de casa era uma mistura de torcidas, com o pai são paulino, além de mais dois irmãos santistas, enquanto a mãe torcia pelo time Ferroviário.


José brinca, acompanhado das risadas da família, que a esposa, na verdade, torce para o Corinthians há 30 anos, sendo a época em que eles se conheceram e que a Shirlei descobriu que ele era palmeirense.


A estudante de publicidade e propaganda na Universidade de Sorocaba, Laís Nascimento, diz não torcer para nenhum em time específico. Ela não era tão familiarizada com a prática esportiva até assistir ao jogo da seleção feminina, na Copa de 2019. Foi quando começou a ter interesse pelo futebol feminino. Mas segundo os pais, novamente em meio às risadas e clima de descontração, a Laís torce para o time que estiver ganhando.



Assistir jogos em estádio de futebol é um evento que acontece na família Nascimento já há alguns anos (Foto: Arquivo pessoal)



Assistir à disputa do Brasileirão feminino ao vivo


A sugestão de ir assistir à disputa da 11ª rodada do Campeonato Brasileiro Feminino foi feita pelo pai, na brincadeira, sem imaginar que as mulheres da família iriam aprovar a ideia, rendendo um passeio diferente e encantador para todos, com muita alegria, principalmente porque o José viu seu time ganhar por 2 a 0, a Laís pode assistir pela primeira vez ao vivo um jogo de disputa feminina e Shirlei teve a oportunidade de torcer de perto pelo seu time.



José Antonio veste a camiseta personalizada em seu nome e número de escalação com referência a data de seu aniversário (Foto: Beatriz Jarins)


O casal e a filha já tinham assistido outras partidas em estádio, mas da escalação masculina. No caso do jogo feminino, foi a primeira vez que presenciaram as “Palestrinas” jogarem contra as “Brabas” (apelidos das jogadoras do Palmeiras e Corinthians, respectivamente) em campo. Com 5.947 pessoas assistindo, a torcida do dia 24 de junho foi considerada recorde de público do futebol feminino no Allianz Parque, até então.


Um dos motivos apontado por José e ressaltado por Laís, foi o valor do ingresso, sendo bem mais barato do que as partidas masculinas, por exemplo.



As Palestrinas fizeram um ótimo trabalho junto com as Brabas, deixando a torcida animada (Foto: Reprodução/ internet)


Futebol feminino vem ganhando cada vez mais espaço


Para Laís: “A melhor parte do passeio foi, com certeza, assistir à partida feminina. Ver o esporte, o jogo das mulheres ali acontecendo”. Além de ter visto banda ao vivo, enquanto a galera estava emocionada e empolgada na torcida, de forma parecida como acontece nos jogos masculinos.


Ela relembra a sensação ao ver a torcida apoiando as jogadoras e ao perceber que não existia mais os comentários machistas de “mulher não sabe jogar” ou “futebol é coisa de menino”.



Preconceito


O futebol é um dos esportes mais populares no Brasil, mas as disputas femininas só começaram a ter o reconhecimento que merecem nos últimos tempos. A primeira Copa do Mundo feminina, foi realizada em 1991, e a participação nos Jogos Olímpicos em 1996.


Mas durante o golpe militar de 1964, as mulheres ficaram proibidas de jogar, conforme o Decreto de nº 3.199 Art. 54: "Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”. Após o fim da ditadura, entre as décadas de 1970 e 1980, houve também o fim dessa proibição e as mulheres puderam voltar a conquistar seus lugares em campo.


Por mais que estejam ganhando mais reconhecimento agora, as mulheres boas de bola ainda precisam caminhar muito para ter o mesmo destaque dos times masculinos. Confira o infográfico:



(Crédito: Beatriz Jarins)



Amor pelo time e pela família andam lado a lado


Com coleções de itens esportivos, desde camisetas, copos, canecas, chaveiros e até bandeiras, o casal já dividiu várias lembranças com os times de coração, com participações em carnavais e eventos em família utilizando as camisetas. Já Laís, tem apenas uma camiseta de time, ganhada pelo pai, após terem assistido a este jogo feminino em que comentam.



Nos bastidores, é possível conferir uma parte dos itens de coleção que o casal guarda de seus times (Foto: Beatriz Jarins)


A união da família em assistir às partidas de futebol juntos só acontece nas disputas femininas, pois quando se trata dos times masculinos, José e Shirlei comentam, rindo, que preferem assistir separadamente e relembram de momentos em que a torcida já foi tema de conflitos dentro de casa. É nessas ocasiões em que a filha Laís escolhe, na hora, qual dos times terá a sua torcida.



Uma sugestão que começou como brincadeira levou a família até o estádio, para torcer de perto pelos seus times (Foto: Arquivo pessoal)



A família afirma que tem vontade de assistir mais jogos de futebol femininos, por ter sido um passeio divertido e Shirlei acrescenta rindo: “O próximo jogo que a gente irá assistir será do Corinthians na Neo Química Arena, se não, eu não vou".


Confira a reportagem em vídeo:












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Revista Adrenalina

A revista foi criada por estudantes de Jornalismo do 6º semestre de 2022, para a disciplina de Projeto Interdisciplinar: Revista Digital, da Universidade de Sorocaba.

© 25 de novembro de 2022 

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