A maior promessa do futebol de amputados
- 24 de nov. de 2022
- 4 min de leitura
Atualizado: 25 de nov. de 2022
Conheça a história de Pedrinho, o menino que não desistiu de sonhar e hoje ajuda a inspirar pessoas por todo o Brasil
Por Pedro de Freitas

“Se eu não desisti, eu aprendi lidar com a dor” – Mc Neguinho do Kaxeta (Foto: Arquivo pessoal)
Pedro Henrique Soares Barbosa, vulgo Pedrinho, de apenas 18 anos, é considerado a maior promessa brasileira na Associação Futebol de Amputados. O camisa 10 do São Bento é apaixonado pela bola desde pequeno, entretanto, seu começo no esporte não foi nem um pouco fácil.
Quando o craque tinha apenas seis anos de idade já brincava com os seus familiares na garagem de casa em Sorocaba, e lá mesmo era perceptível muito talento no garoto; Pedro apresentava um dom com o futebol surpreendendo todos presentes. Sendo assim, pensar que sua prótese companheira desde os três anos fosse um problema, seria mais um caso de preconceito estrutural no esporte.
Perante um olhar de rejeição da sociedade, já notava ali que não seria nada fácil seguir um futuro como profissional, um sonho utópico para muitos jovens brasileiros que são fissurados pela famigerada pelada, tinha um espaço importante no coração do menino. E isso só construía mais muros em seu caminho, pois Pedrinho é um competidor nato, queria estar jogando com as pessoas consideradas “normais” pela sociedade.
Por sorte o jogador não estava sozinho, querido no bairro pela sua humildade, Pedro Henrique fez muitas amizades na vizinhança e o futebol passou a ser seu cotidiano; até chegar aos 11 anos, quando decidiu dar um passo adiante sobre o futuro que visava e se integrou a uma escolinha de base para os amantes da bola.
A promessa sabia que não seria nada de mão beijada, aos trancos e barrancos ele mostrava a magia que tem nos pés, mas no fim era sempre barrado na verdadeira prova; a competição. Sua condição não o permitia participar dos campeonatos que eram disputados pelo time, muito menos nos jogos interclasses do colégio, o que gerou uma espécie de trauma no sonhador porque sentia que não tinha as mesmas capacidades dos demais, era completamente excluído.
Em meados de 2016 o pensamento já seguia outra direção. Junto ao seus pais, o camisa 10 foi a procura de uma nova modalidade adaptada; em busca de novos ares ele experimentou a natação, praticou o arremesso de dardos e até chegou a jogar basquete para cadeirantes, porém nada era tão atraente quanto o futebol. Pedrinho não se encontrou em um esporte novo, sua paixão falava maior, o que só o gerou decepção por conta da obsessão em disputar com os denominados “normais”.
Saltando para 2018, durante uma aula de educação física no nono ano da escola, a professora de sua classe teve a ideia de gravar o aluno que se destacava do resto da turma em quadra. O garoto captado pelas câmeras de Patrícia Martins realizava movimentos plásticos e efetuava-os com eficiência ao gol.
Toda sua entrega invejável fez o atleta chegar nos olhos da Conforpés, a empresa ortopédica mais famosa da América do Sul; onde pode conhecer uma figura com grande importância em sua vida profissional e principalmente pessoal.
Welton Silva Amorim, companheiro atual de equipe do protagonista, lhe chamou para assistir a um jogo do Brasileirão série B de amputados. A partida foi disputada na cidade de Sorocaba e o time da casa não encantou Pedrinho de cara, que ficou decepcionado com a modalidade, mas decidiu dar a ela uma segunda chance. No dia seguinte, Pedro voltou para as arquibancadas do estádio e teve uma experiência completamente diferente. Ao longo da partida o craque já estava tomado pela emoção, comemorou bastante com todos presentes e se sentiu acolhido pelos jogadores que vieram até ele conversar após o apito final. Foi nessa inclusão que a fera se rendeu ao time, e a partir dali foi convidado para o treino em equipe na terça-feira seguinte, depois do fim de semana em que passou apoiando o grupo fora das linhas.
No final daquele mesmo ano, Pedro Henrique participava do seu primeiro campeonato, quando a titularidade não era ainda uma realidade. “Não estava acostumando, era banco, não tinha me adaptado; ali eu precisava conhecer os jogadores”, disse o atleta. Com o passar dos treinamentos diários, já em 2019, a prova de que o garoto tinha que estar atuando já era certeira; o jovem demonstrou muito talento dentro do grupo e precisava passar todo seu desempenho em treino para as competições.
Há exatamente um ano, quando o craque acompanhava das cadeiras do estádio uma partida do Sorocaba Futebol de Amputados, sua alma foi conquistada pela prática desta categoria específica; no entanto, diante do desafio de mostrar que estava no lugar certo, nascia uma nova pessoa, um ser pronto a combater todo preconceito que sofreu ao lutar pelo seu sonho, desde então nascia o que é considerado a maior promessa da modalidade.

(Foto: Arquivo pessoal)
Em seu primeiro campeonato como titular, Pedrinho foi campeão, artilheiro e decisivo na final, trajetória que se repetiu em outras oportunidades a seguir; e todo esse mérito no futebol rendeu ao 10 do São Bento 2 passagens pela seleção brasileira de amputados, fazendo jus ao chamá-lo de futuro melhor jogador da categoria. Todavia, o foco agora é outro, a luta pela taça do Brasileirão série A, que será o maior objetivo do menino que não desistiu do esporte, lutou até o fim, ultrapassou barreiras que hoje em dia são minúsculas aos seus olhos, aos olhos de um gigante e hoje serve de inspiração para milhares.




parabéns pela noticia, ficou sensacional